Para este CEO, despreparo para novas tecnologias pode afetar sua carreira

O canadense Amin Toufani parece ter saído de uma máquina do tempo para quem o escuta falar de tecnologiaeconomia mercado de trabalho.

CEO da T-Labs, empresa de inteligência artificial e blockchain com sede na Califórnia, e professor de finanças na Singularity University, uma das mais respeitadas do Vale do Silício, ele é enfático sobre o futuro: até 2030, as mudanças no mundo profissional serão rápidas e não estamos preparados para enfrentá-las.

Em visita ao Brasil para participar do Experience Club, em São Paulo, o executivo, que é formado em inteligência artificial pela University of British Columbia, no Canadá, com especialização em política econômica pela Universidade Harvard, conversou com VOCÊ  RH sobre os desafios da liderança frente à disrupção.

Para ele, quem não souber se adaptar será engolido pelo tsunami tecnológico.

Quais são os maiores desafios de ser um CEO no mundo de hoje?

O que costumava funcionar não funciona mais. Isso requer constante reinvenção e aprendizado. E não somos educados a desaprender. Outro desafio é encontrar membros da equipe que sejam adaptáveis.

Não temos ideia do que vamos fazer daqui a dois anos, quanto mais daqui a cinco ou dez. A única coisa que sabemos é que os profissionais precisarão se adaptar. Hoje, três coisas predizem a felicidade no trabalho: autonomia, domínio e propósito.

A questão é que 73% das pessoas afirmam que autonomia significa trabalhar sozinho. Todo mundo comenta sobre colaboração, certo? Só que os indivíduos estão dizendo que querem trabalhar sozinhos. Esse é um problema e ninguém está falando dele.

De que maneira essas questões mudarão o  jeito como os chefes terão de lidar com os funcionários?

O papel do líder como aquele que diz para onde todos devem ir está quase desaparecendo. Um desafio muito difícil é desistir do controle — exatamente o que os CEOs não querem fazer.

Mas, se você não abrir mão disso, nunca conseguirá o melhor nível de adaptabilidade de sua equipe. A liderança deve criar um ambiente seguro para as pessoas desaprenderem e se comportarem de forma adaptável.

E como você se relaciona com seus funcionários?

Eu vejo membros da minha equipe como colegas, não como subordinados. E isso significa que tenho um voto, não um veto. Eu posso ser demitido. Não de minha empresa, mas de um projeto dentro da companhia. E esse é o nível de empoderamento que acho necessário para trazer o melhor das pessoas.

Queremos capacitá-las, queremos que tenham autonomia e domínio, e isso significa ajudá-las constantemente no autodesenvolvimento e na busca de um propósito. Penso que, se você fortalecer sua equipe, poderá capturar mais oportunidades. O maior risco hoje é não pensar grande o suficiente.

Eu quero que os profissionais estejam atentos às mudanças. Mas também quero que percebam que vivemos no período mais incrível da história humana e que eles podem criar e exceder as próprias expectativas.

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