Da tecnologia verde à integração asiática

As tecnologias verdes afiguram-se como a principal alternativa para a redução da emissão de gases poluentes nos próximos anos, a fim de evitar o aquecimento global e a poluição do ar em todos os países do mundo, sobretudo aqueles mais industrializados. Na China, no entanto, a urgência é maior, dado o fato de que as principais cidades chinesas encontram-se entre aquelas com os ares mais contaminados do planeta, não restando alternativas, dado a impressionante população de 1.38 bilhão de chineses, que não a mudança nas formas de obtenção de energia.

É por isso que a China se tornou, já há duas décadas, a líder mundial no mercado de carros elétricos, com poderosos subsídios governamentais para que as empresas baseadas no país produzam automóveis verdes, assim como as estrangeiras que operem em solo chinês façam o mesmo para concorrer com os carros locais. Devido a isso, o país hoje responde por 40% de toda a venda de carros elétricos mundo afora, que hoje totalizam 3,2 milhões mundialmente. Para tal, no entanto, são necessárias estruturas que o país provê como nenhum outro.

Com 424 mil postos de carregamento para carros elétricos em todos os países, inclusive o Brasil, 241 mil, ou seja, mais da metade, estão em solo chinês. Todos, claro, incentivados pelo Governo, que tem sua própria rede de postos e facilita, igualmente, os empreendimentos privados com incentivos fiscais para adoção de postos de carregamento, não se restringindo às tradicionais “bombas de gasolina”. Isto permite que o carro elétrico chinês não se resuma aos ultracompactos como o Renault ZOE, que chegou ao Brasil este ano. Na China, as marcas locais investem em elétricos que vão dos sedans às SUVs, visto que os compactos, mesmo, pouco são vistos nas cidades e estradas do país.

Feira de automóveis em Tianjin

Dito isso, o Brasil 247 acompanhou, nas últimas quinta-feira e sexta-feira, uma feira de tecnologia verde em Tianjin, cidade próxima a Pequim e uma das mais importantes do país, que integrou a Conferência Mundial de Inteligência. Por lá, ficou latente o objetivo chinês de adotar o máximo de tecnologias verdes em todos os modais de transporte e produção até o ano de 2050, expandindo o sucesso dos automóveis, em primeiro lugar, até mais da metade (e quem sabe, a totalidade) dos veículos em circulação. E assim, concomitantemente, levar a iniciativa também para os trens, ônibus, aeronaves, elevadores, máquinas industriais.

O mais desafiador dos projetos, de abandonar o uso de combustíveis fósseis em aviões, substituindo a querosene de aviação pela energia elétrica, ainda é tratado com modéstia pelos chineses. Visto ser a criatura de Santos Dumont o mais dispendioso dos veículos, em termos de energia, assim como o mais arriscado ao se empreender aventuras tecnológicas envolvendo seres humanos, os estudos chineses ainda se restringem a pequenas aeronaves não tripuladas. Há de se ter garantia de que a nave terá autonomia e estabilidade da distribuição de energia para vôos tripulados de curta, média e longa distância, ao que a tecnologia atual ainda não responde de forma segura.

Para além disso, porém, de tudo um pouco os chineses têm feito em matéria de energia elétrica, inclusive automóveis esportivos de alto desempenho, desenvolvidos em parceria com empresas e o Governo dos Emirados Árabes Unidos, para serem usados como carro de polícia no minúsculo e bilionário país do golfo pérsico. Isso além de projetos de carros de direção autônoma, isto é, que não necessitam de motorista, movimentando-se conforme orientação do GPS e aplicativos de rota.

Todas as iniciativas vão ao encontro dos acordos globais de redução da emissão de gases, da luta chinesa pelo aumento da qualidade de vida pela redução da poluição, da busca por alternativas aos finitos combustíveis fósseis e da geração de tecnologias para o caminhar conjunto da humanidade, este último proposto pelas estratégias econômicas internacionais chinesas.

Em tempo…

Outro destaque da última semana, em se tratando das relações políticas e econômicas internacionais da China, foi a abertura da Conferência de Diálogo das Nações Asiáticas (CDAC, sigla do inglês). Quarenta e sete nações representadas e 30 mil presentes, reunidas na potência do leste no último de 15 de maio, mostraram a força do diálogo entre vizinhos e da iniciativa chinesa de “futuro compartilhado”. A capacidade da China de reunir vizinhos com rusgas históricas como Rússia e Afeganistão, Israel e Palestina, Índia e Paquistão, além de sua própria abertura nas últimas décadas ao Japão e à Coreia do Sul, com quem manteve relações difíceis e mesmo sofridas ao longo do século XX, é só mais um reflexo da capacidade chinesa de se reinventar para criar um futuro melhor para o povo e para o planeta.

O Brasil, como maior economia da América Latina e do hemisfério sul, já exerceu esse papel, tanto nos BRICS, quanto no G20, Unasul e Mercosul. Assim que a situação política for normalizada, é necessário, mesmo para a própria China, que o país volte a jogar este jogo da criação de novas alternativas econômicas internacionais e novos blocos de parceria internacional para o crescimento multipolar da humanidade.

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