Robótica em uma Hamburgueria? TEM SIM!

Inaugurado no último mês de junho, o Creator poderia ser apenas mais um restaurante descoladinho de San Francisco, EUA, servindo hambúrgueres. Mas na cozinha está o diferencial: no lugar do chefe hipster tatuado, um robô cuida de toda a preparação das iguarias – do corte do pão ao preparo da carne. Nós colamos lá para comprovar: comida de robô é boa?

Por enquanto só estão disponíveis quatro opções de hambúrgueres e algumas de acompanhamento: entre elas, batatas fritas, raízes cruas, couves-flores fritas e abobrinhas com salada de rúcula. A linha saudável continua na hora de escolher o que beber, como refris orgânicos e chás gelados. As sobremesas também são preparadas com frutas orgânicas, seguindo a tendência pregada pela casa.

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Após feitos os pedidos, o robozão que toma a parte esquerda do salão começa a processar os hambúrgueres. O pão de brioche é separado em duas fatias, torrado e amanteigado. Ao final do processo, ele é depositado em uma caixa de papel que segue adiante por meio de uma esteira automática.

O pão, então, recebe os molhos especiais da casa, como de ostra defumada aioli ou os tradicionais ketchup e mostarda. O próximo passo é ganhar (ou não) picles, tomate, cebola, alface e, por fim, queijo cheddar (que é ralado na hora e despejado em abundância). Nesse ponto o prato está quase pronto, só faltando a carne. A grande sacada é que as máquinas já sabem a quantidade exata de cada ingrediente de acordo com o hambúrguer escolhido!

Cada uma das duas máquinas é capaz de produzir até 130 hambúrgueres por hora. No entanto, nessa fase inicial, elas estão com velocidade reduzida, com limite de 90 unidades. O aparelho conta com 20 computadores e 350 sensores e foi desenvolvido durante oito anos pela equipe de Alex Vardakostas, cofundador e executivo-chefe da empresa.

Tem gosto de quê?

Provamos o Tumami Burger. Logo na primeira mordida dá para ver que o pão é realmente um dos diferenciais do Creator, com consistência macia por dentro e crocante por fora. Todos os ingredientes tinham bom sabor e estavam frescos (picles, cebola e alface), contribuindo para a crocância do hambúrguer de forma geral. A carne estava bem preparada e tinha gosto suculento.

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Como ressalvas, as batatinhas fritas estavam um pouco sem sabor. Mas vale dizer que não é culpa da tecnologia – elas foram preparadas por humanos! O tamanho da carne também poderia ser um pouco maior, pois ao juntar as duas partes do pão ela fica um pouco escondida.

Porém, de maneira geral, o burger dos robôs pode ser comparado aos feitos por redes concorrentes, como o Super Duper. Da primeira à ultima mordida, a sensação é de estar degustando um hambúrguer saudável e bem trabalhado.

Mãozinha do homem.

Apesar de serem as estrelas do Creator, as máquinas não funcionam sozinhas. Ao contrário do que se imagina, o cliente se depara com um número grande de atendentes quando chega ao restaurante. Em vez de trabalharem como chapeiros, os funcionários recebem pedidos, reabastecem as máquinas, recebem pagamentos e garantem informações adicionais para os mais indecisos. Não há totem de autoatendimento, todo o primeiro contato é feito por pessoas. Os molhos dacasa e acompanhamentos, como batatas fritas, saladas e legumes, também são preparados por funcionários do Creator. Portanto, a mão de obra humana ainda é parte do processo, mesmo que reduzida se comparada a restaurantes convencionais.

Preço baixo.

Só que a máquina não ajuda tanto assim o homem. Por conta dos robôs, a empresa desperdiça menos alimentos e economiza em mão de obra, aluguel e até mesmo no uso de energia. Essa redução de custos é sentida diretamente no bolso do cliente, que paga apenas U$ 6 por hambúrguer – 20% menor, em média, do que na concorrência.

Os demais itens do menu também estão abaixo da média, como U$4 por batatas fritas e o máximo de U$4,50 por uma sobremesa.

Só que em San Francisco, que duela com Nova York como a cidade mais cara dos EUA, muitos moradores de classes econômicas mais baixas são afugentado para áreas muito distantes. As grandes empresas de tecnologia explodiram o custo de vida da cidade, como aluguel, transporte e alimentação.

É possível que outros restaurantes enxerguem nos robôs uma solução mais generalizada para tentar manter a operação – o que tem potencial de expulsar de vez da cidade uma parte da sociedade. E, para isso, não há hambúrguer que console.


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